quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Bom dia queridos,
Hoje trago pra vocês algumas sugestões de leitura.
Tudo começou com uma sugestão do nosso amigo Márcio, que nos pediu para escrevermos sobre os livros que marcaram a nossas vidas.Então aceitamos o desafio e começamos a escrever, sobre as nossas melhores leituras, então vai aí pra vocês o depoimento da nossa professora Claúdia.Espero que gostem e se inspirem a ler também, breve teremos mais sugestões. Bom enlevo!

 Como nasci em um lugarejo que não dispunha de meios muito eficientes para o exercício da leitura, a lembrança mais antiga e grata que posso ter é a de um pedido de livros, por carta, feito a uma prima do Rio de Janeiro. Estava com nove/dez anos ePollyana (Menina e Moça!) foi o presente que deve ter moldado parte de minha personalidade.
  Ali pelos doze, li José de Alencar inteiro --graças a uma amiga que ganhou (e detestou!) toda a coleção-- e virei esta romântica assumida.
  Só conheci Machado,  Eça, Graciliano, Rosa, Jorge Amado,Clarice, José Lins do Rego, os clásicos de Língua Portuguesa, no finalzinho do Curso Normal, e, pra valer, no curso de Letras. Até aí, posso assegurar que as Memórias Póstumas, de Machado, e Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice, nunca mais ficaram longe de mim.
 A minha vertente, no entanto, estava com a poesia: Cecília,Bandeira e Drummond, para Sempre!
 
 Já no Mestrado, acreditando estar tudo definido com a Língua Portuguesa, um trabalho final sobre as letras de Cazuza , fui cooptada ao assistir a uma palestra da Profa. Laura Padilha, da UFF, sobre a obra de um escritor angolano,Pepetela, naquele dia, especificamente, seu romance, Mayombe.
 Na narrativa,o autor, Artur Pestana, angolano de Benguela, da etnia umbundo, (daí o Pepetela que quer dizer "Pestana" ), usando várias vozes, assume em primeira pessoa, o ponto de vista do(s) guerrilheiro(s,) que na guerra de libertação de Angola, encontram-se, clandestinos, na floresta do Mayombe (embora menor, lembra claramente a nossa Amazônica, também ao norte daquele país).
 Dando voz e vez àqueles que durante a colonização portuguesa jamais pederam existir ( quanto mais, sonhar!), na polifonia ficcional o projeto de Nação vai sendo traçado.São chefes, comandantes, soldados, de variadas etnias podendo- se dizer, finalmente! e, em Língua Portuguesa! ( a verdadeira arma conquistada do colonizador e que pôde apresentá-los ao mundo...).
 Sob o ponto de vista de minha formação/geração, a voz dos que nunca a puderam ter faz toda a diferença! A visão de quem constroi no silêncio e no anonimato, perseguindo amores e realizações, é o salvo-conduto para a noção de humanidade em que todos possam usar a palavra --não como lugar comum, mas como referencial daquilo que cada um traz consigo!
 Mayombe alterou conceitos e solidificou outros; abriu caminhos e alterou rotas, mudou a história da minha vida!
 
 Meu carinho,
 Beijão,
 Claudia
 

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