domingo, 11 de dezembro de 2011

olá queridos boa noite,
hoje quero compartilhar com vocês um texto do meu amigo Diego um jovem escritor que lançará um livro no próximo dia 14.
Espero que gostem e comentem bastante.Divirtam-se!


O tal José de Drummond
E agora, José?
Como ir às festas se o salário é mínimo,
A esperança não sucumbiu ao apagão,
Sua fé mantém-se firme apesar da solidão,
José, o povo morreu nessa situação.
Mas você é brasileiro, igual guerreiro,
Quiçá índio seja, mas onde estão seus mimos?

Só, é por desopção,
Sua voz está rouca,
Seu carinho é desatenção;
Procurou os AA, agora nem quer
Cachaça, cigarro, maconha,
José quer emprego para não ser chamado de sem-vergonha.
Com o pouco que tinha,
Não contou prosa, nem mentirinha,
Entrou no bonde moderno,
Riu o riso sem terno,
Pois, pobre era, contudo,
Ainda que fosse pouco o tudo,
José não fugiu, não deixou de sonhar
Que o Brasil não desampara,
Mas também não dá abrigo,
Ao José que mal curou seu umbigo.

E agora, José?
Pergunto-lhe eu, sua palavra amargou-se na boca,
Sua febre é tropical, sua oca é feita de palha,
Cobra ao político cobra que fez da política uma politicalha,
Seu jejum é doído, igual grito de recém-nascido;
Sua água é da cisterna, sua seca é d’alma,
Devido à incongruência da Língua Materna,
Esta se encerrou, não deixando palma e calma,
Oxímoro, que coisa é essa? De ódio e de amor só restaram rancor – e agora?

Faz a porta com a madeira
Que veio da Amazônia,
Está fácil pegar, qualquer um rouba,
Não tem olheiro, muito menos a fofoqueira da Sônia.
Seu mar é esgotado, rasga o verbo ser,
Visto que no caso não há latência, apenas constância.
Rasga suas vestes, José, deixa esse cinismo de aparecer;
Quer ainda tomar banho na água fedida? É bobo mesmo,
Só falta dizer: crer que o S.U.S. sara ferida.
Você não é mineiro, mal tem terra para dormir.
Sua cama, asfalto das ruas,
Seu ar-condicionado, o frio do translado de veículos,
José não grita, geme, toca, dorme, cansa, morre,
Ele se droga com a droga que deixaram para ele.
Usa-as porque a própria vida o entorpecera de misérias.
José, bicho-gente, come do lixo o luxo dos outros,
“Socorre ele, fica sem férias, não deixe a mercê dou trem”.

Foge desse país,
Viagem de trem ou de bala,
A terra dos sabiás não ouviu o grito de José,
A margem plácida ensurdeceu-se.
Ainda sim, o homem é forte,
Não desiste, não foge, não marcha para morte.
Não permita que seus sonhos morram
Naquilo que fizeram do Brasil,
Levanta a cabeça, olha o anil da Arara,
Novo dia, José, esquece o agora, senão para onde vai?

Um comentário:

  1. muito bom este texto o blog está cada dia melhor, parabéns!

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