hoje quero compartilhar com vocês um texto do meu amigo Diego um jovem escritor que lançará um livro no próximo dia 14.
Espero que gostem e comentem bastante.Divirtam-se!
O tal José de Drummond
A esperança não sucumbiu ao apagão,
Sua fé mantém-se firme apesar da solidão,
José, o povo morreu nessa situação.
Mas você é brasileiro, igual guerreiro,
Quiçá índio seja, mas onde estão seus mimos?
Só, é por desopção,
Sua voz está rouca,
Seu carinho é desatenção;
Procurou os AA, agora nem quer
Cachaça, cigarro, maconha,
José quer emprego para não ser chamado de sem-vergonha.
Com o pouco que tinha,
Não contou prosa, nem mentirinha,
Entrou no bonde moderno,
Riu o riso sem terno,
Pois, pobre era, contudo,
Ainda que fosse pouco o tudo,
José não fugiu, não deixou de sonhar
Que o Brasil não desampara,
Mas também não dá abrigo,
Ao José que mal curou seu umbigo.
E agora, José?
Pergunto-lhe eu, sua palavra amargou-se na boca,
Sua febre é tropical, sua oca é feita de palha,
Cobra ao político cobra que fez da política uma politicalha,
Seu jejum é doído, igual grito de recém-nascido;
Sua água é da cisterna, sua seca é d’alma,
Devido à incongruência da Língua Materna,
Esta se encerrou, não deixando palma e calma,
Oxímoro, que coisa é essa? De ódio e de amor só restaram rancor – e agora?
Faz a porta com a madeira
Que veio da Amazônia,
Está fácil pegar, qualquer um rouba,
Não tem olheiro, muito menos a fofoqueira da Sônia.
Seu mar é esgotado, rasga o verbo ser,
Visto que no caso não há latência, apenas constância.
Rasga suas vestes, José, deixa esse cinismo de aparecer;
Quer ainda tomar banho na água fedida? É bobo mesmo,
Só falta dizer: crer que o S.U.S. sara ferida.
Você não é mineiro, mal tem terra para dormir.
Sua cama, asfalto das ruas,
Seu ar-condicionado, o frio do translado de veículos,
José não grita, geme, toca, dorme, cansa, morre,
Ele se droga com a droga que deixaram para ele.
Usa-as porque a própria vida o entorpecera de misérias.
José, bicho-gente, come do lixo o luxo dos outros,
“Socorre ele, fica sem férias, não deixe a mercê dou trem”.
Foge desse país,
Viagem de trem ou de bala,
A terra dos sabiás não ouviu o grito de José,
A margem plácida ensurdeceu-se.
Ainda sim, o homem é forte,
Não desiste, não foge, não marcha para morte.
Não permita que seus sonhos morram
Naquilo que fizeram do Brasil,
Levanta a cabeça, olha o anil da Arara,
Novo dia, José, esquece o agora, senão para onde vai?
muito bom este texto o blog está cada dia melhor, parabéns!
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